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Infraestrutura e Geopolítica: Reinaldo Azambuja alerta que consolidação da Rota Bioceânica ainda exige forte articulação técnica no Senado

Bulhõesdigital

A consolidação da Rota Bioceânica — o corredor rodoferroviário transcontinental que interligará o Brasil ao Oceano Pacífico — entrou em definitivo no centro do debate político e logístico nacional. O ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, alertou que, embora as obras físicas estejam avançando a passos largos, o pleno funcionamento do canal de exportações ainda depende de um complexo e intenso trabalho de articulação institucional e legislativa em Brasília.

Com a histórica Ponte Internacional sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho, entrando em sua fase final de engenharia e com previsão de entrega da estrutura principal para o fechamento de 2026, o foco estratégico agora migra da engenharia civil para a diplomacia e a desburocratização aduaneira.

Os Gargalos Técnicos Ocultos no Corredor do Pacífico

A eficiência da rota promete encurtar em até 17 dias o tempo de viagem das mercadorias sul-mato-grossenses em direção ao mercado asiático, gerando uma economia média de 40% nos custos globais de frete. No entanto, Azambuja ressalta que o sucesso comercial do traçado não se resume a asfaltar estradas e erguer pontes. Para que os caminhões não fiquem parados em filas quilométricas nas fronteiras, o pré-candidato ao Senado listou as quatro prioridades que exigem intervenção direta no Congresso Nacional:

  1. Harmonização Aduaneira: Unificar as burocracias fiscais e alfandegárias entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando sistemas de liberação rápida e digital de cargas;

  2. Acordos Fitossanitários: Atualizar os tratados sanitários internacionais para que a fiscalização de carnes, grãos e produtos agrícolas seja aceita de forma mútua pelos quatro países, eliminando vistorias repetitivas;

  3. Integração de Transportes: Regulamentar o tráfego internacional de frotas pesadas, garantindo seguros de carga unificados e segurança jurídica para os motoristas e transportadoras ao longo do trajeto;

  4. Capacitação de Mão de Obra Local: Preparar as populações dos municípios que cortam o traçado para assumirem postos de trabalho qualificados em portos secos, postos aduaneiros, hotelaria e centros logísticos.

O Impacto Econômico nos Municípios de MS

Estudos econômicos indicam que o início operacional do corredor será um divisor de águas para a balança comercial do estado. Setores como a pecuária projetam que o volume de carne bovina exportado diretamente para o Chile pode triplicar em poucos anos.

O traçado projeta um “boom” de atração de indústrias, armazéns alfandegados e operadoras logísticas internacionais, gerando milhares de empregos diretos e indiretos em cidades estratégicas:

  • Porto Murtinho: O epicentro da rota, concentrando o complexo da ponte internacional e os novos portos fluviais;

  • Região Sudoeste (Jardim e Guia Lopes da Laguna): Cidades que funcionarão como hubs de serviços, postos de combustíveis de alta capacidade e paradas técnicas de frotas;

  • Campo Grande: A capital consolida-se como o grande cérebro logístico e aduaneiro, concentrando escritórios corporativos e indústrias de transformação.

“Para que esse potencial se concretize, Mato Grosso do Sul precisa de uma voz atuante em Brasília que garanta os recursos e as parcerias necessárias. Meu compromisso é trabalhar para completar a infraestrutura que falta e transformar o corredor em desenvolvimento real para as famílias sul-mato-grossenses”, afirmou Reinaldo Azambuja.

Imagem: Divulgação

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