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BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) deu um passo drástico nesta semana ao solicitar formalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspeição do ministro Dias Toffoli no caso do Banco Master. O pedido, entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente da Corte, Edson Fachin, baseia-se em “vários achados” em perícias realizadas no celular e na nuvem do banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.
Os investigadores afirmam ter encontrado não apenas citações ao nome do ministro em conversas de terceiros, mas diálogos diretos entre Toffoli e Vorcaro que datam desde 2021.
Os Pontos Centrais da Investigação
O caso Master, que envolve um rombo estimado em R$ 47,3 bilhões — o maior da história bancária do Brasil —, agora ganha contornos de crise institucional. A PF aponta três frentes de conflito de interesse:
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Mensagens Diretas: O material periciado sugere uma relação estreita entre o relator do caso (Toffoli) e o principal investigado (Vorcaro), incluindo menções a supostos pagamentos.
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O Resort Tayayá: Descobriu-se que o fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos (ligada ao esquema do Master), comprou cotas milionárias de um resort no Paraná pertencente aos irmãos do ministro, o padre José Carlos e o engenheiro José Eugênio.
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Sede “Fantasma” em Marília: A empresa que gerenciava a parte da família Toffoli no resort, a Maridt Participações, tinha sede na residência de um dos irmãos em Marília (SP). Em entrevista, a esposa dele afirmou viver em situação precária e desconhecer que sua casa servia de sede para uma empresa milionária.
A Resposta de Toffoli
O gabinete do ministro reagiu com dureza, classificando o pedido da PF como baseado em “ilações”. Em nota oficial, Toffoli argumentou que:
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Falta de Legitimidade: Juridicamente, a Polícia Federal não teria poder para pedir suspeição de um magistrado, por não ser “parte” formal do processo.
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Sigilo e Defesa: O ministro enviará sua resposta técnica diretamente a Edson Fachin, que agora detém a responsabilidade de decidir se mantém ou afasta Toffoli da relatoria.
O “Xadrez” no STF e no Senado
A situação gerou desconforto imediato entre os pares de Toffoli no Supremo, que pedem cautela, mas admitem o desgaste da imagem da Corte. No Senado, o clima é de cobrança: a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) já formalizou pedidos de acesso aos documentos sigilosos e planeja convocar Daniel Vorcaro e o próprio diretor da PF para depoimentos.
Enquanto Fachin analisa o relatório, o caso Master segue paralisado em decisões cruciais, como a liquidação da gestora Reag e o bloqueio de bens que somam bilhões de reais.
Imagem: Divulgação



