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Em um movimento estratégico para as relações bilaterais, os governos do Brasil e da Bolívia anunciaram, nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, a retomada oficial do projeto do Corredor Bioceânico Central. O acordo foi selado após reuniões entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz, marcando o retorno da Bolívia ao protagonismo logístico da América do Sul.
O projeto, que integra modais ferroviários, hidroviários e rodoviários, visa conectar o Porto de Santos (Brasil), no Oceano Atlântico, ao Porto de Ilo (Peru), no Oceano Pacífico, atravessando o coração do território boliviano.
O Diferencial do Eixo Central
Diferente de rotas alternativas que contornam a Bolívia pelo norte ou pelo sul, o Corredor Bioceânico Central foca na conectividade direta e na criação de polos de desenvolvimento econômico em regiões historicamente isoladas.
De acordo com o ministro do Planejamento boliviano, Fernando Romero, o trajeto planejado percorre pontos nevrálgicos:
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Entrada e Saída: Conexão entre Corumbá (MS) e Puerto Suárez (Bolívia).
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Eixo Boliviano: Passagem por Santa Cruz, Cochabamba, Chapare, La Paz e El Alto.
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Saída para o Pacífico: Conexão com os litorais do Peru e do Chile.
Superação de Obstáculos e Nova Agenda
O anúncio sinaliza o fim de um período de estagnação do projeto. Anteriormente, dificuldades políticas e o que o governo boliviano classificou como “cultura de obstrução” levaram o Brasil a priorizar outras rotas. A nova fase de entusiasmo baseia-se em:
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Integração Multimodal: O foco não é apenas em rodovias, mas na reativação do trem bioceânico e no uso de hidrovias.
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Parceria Energética e Turística: Além da logística, os acordos assinados abrangem cooperação em energia e promoção do turismo regional.
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Expansão Regional: Estão em análise outros 17 acordos adicionais que incluem a integração da Amazônia e o fortalecimento do bloco formado por Brasil, Peru, Chile e Bolívia.
Impacto Econômico Esperado
A retomada do CFBI (Corredor Ferroviário de Integração Bioceânica) posiciona a Bolívia como o “polo” de integração regional. Para o Brasil, a rota oferece uma alternativa competitiva para o escoamento de produtos para o mercado asiático via portos do Pacífico, reduzindo custos e tempo de transporte.
Para as populações locais, a expectativa é de que a infraestrutura gere novos postos de trabalho e atraia investimentos industriais ao longo das ferrovias e estradas que compõem o corredor.
Imagem: Divulgação





