Logística e Infraestrutura: “Rota da Celulose” enfrenta asfalto destruído por carretas de minério e falta de balanças na BR-262

Bulhõesdigital
O acelerado desenvolvimento industrial da Costa Leste de Mato Grosso do Sul trouxe um efeito colateral severo para a malha rodoviária. O trecho de quase 300 quilômetros da BR-262, que liga Campo Grande a Três Lagoas, transformou-se em um cenário de buracos, asfalto deformado e alto risco de acidentes. O principal vilão do pavimento é o tráfego pesado de mais de 400 carretas bicaçambas carregadas de minério de ferro de Corumbá que passam por dia no local, somadas ao escoamento da madeira e da celulose regional.
O diagnóstico de degradação ganhou o endosso dos prefeitos de Ribas do Rio Pardo, Roberson Luiz Moureira, e de Água Clara, Gerolina Alves. Ambos denunciam um apagão de fiscalização e manutenção asfáltica crônico.
O Gargalo Crítico e a Ausência de Postos de Pesagem
De acordo com as lideranças municipais, o ponto mais alarmante da rodovia compreende uma extensão de 40 km a 50 km localizados entre a entrada da MS-338 (Assentamento Mutum) e a cidade de Água Clara. Esse pedaço específico da BR-262 foi “esquecido” pelas antigas frentes de conservação do Dnit e não recebe recapeamento há mais de cinco anos.
A prefeita Gerolina Alves faz um alerta contundente: o asfalto está sendo esmagado porque não existe nenhum posto de pesagem ativo (balança) entre a Capital e Três Lagoas. Sem fiscalização do excesso de peso por eixo, os comboios rodam com cargas acima do limite técnico permitido, acelerando a destruição das pistas. O tráfego pesado redesenhou a rotina logística:
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Minério de Ferro: Cerca de 400 bicaçambas cruzam o Estado diariamente rumo a Minas Gerais;
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Logística da Celulose: Mais de 200 carretas trafegam diariamente de Ribas do Rio Pardo em direção a Inocência, onde fazem o transbordo da carga para os trilhos da linha férrea rumo ao Porto de Santos.
A Concessão da “Caminhos da Celulose” e o Cronograma de Obras
A responsabilidade pela rodovia mudou de mãos recentemente. O consórcio Caminhos da Celulose arrematou o leilão do bloco rodoviário no fim de 2025 e assumiu oficialmente a operação e manutenção das vias em fevereiro de 2026.
Pressionada pelos prefeitos devido à sequência de acidentes fatais causados por ondulações na pista e ultrapassagens arriscadas, a concessionária emitiu as ordens de serviço iniciais. No entanto, o plano de engenharia prevê uma divisão cronológica:
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Ano de 2026 (Imediato): Obras emergenciais de restauração profunda do pavimento, tapa-buracos e sinalização tática nas frentes mais críticas;
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Ano de 2027 (Médio Prazo): Início das obras complexas de ampliação de capacidade, que incluem a aguardada duplicação de pistas e a abertura de terceiras faixas.
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Fiscalização: O contrato de concessão obriga a concessionária a implantar três novos postos de pesagem estratégicos ao longo da BR-262 para coibir o excesso de carga.
Raio-X do Contrato de Concessão (Contrato de 30 anos)
O megaprojeto da Rota da Celulose foi remodelado para aliviar os investimentos exigidos das empresas nos primeiros quatro anos de contrato. O plano global une trechos das federais BR-262 e BR-267, além das estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, totalizando 870,3 km sob concessão.
| Meta de Engenharia | Volume Previsto no Edital | Impacto Esperado no Trânsito |
| Aporte Financeiro Total | R$ 10,1 Bilhões (R$ 6,9 bi em Capex) | Modernização e manutenção pesada por 3 décadas. |
| Duplicação de Pistas | 115 quilômetros | Fim das colisões frontais causadas por ultrapassagem. |
| Terceiras Faixas | 245 quilômetros | Alívio no fluxo, permitindo ultrapassar carretas lentas. |
| Acostamentos Novos | 457 quilômetros | Margem de segurança para panes e paradas de emergência. |
| Contornos Urbanos | 38 quilômetros | Retirada das carretas pesadas de dentro das cidades. |
Imagem: Divulgação





