
Karina Campos
Antes do duelo contra o Haiti, marcado para a próxima sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), o Brasil terá pela frente um adversário que carrega uma das histórias mais marcantes desta Copa do Mundo. A partida será válida pela segunda rodada da fase de grupos.
A seleção haitiana chega ao confronto após estrear no Mundial com derrota por 1 a 0 para a Escócia, no último sábado (13). No mesmo dia, o Brasil ficou no empate com o Marrocos em sua primeira partida no torneio.
Apesar de ser considerada uma das equipes menos tradicionais da competição, o Haiti chama a atenção pela trajetória de superação que o levou de volta ao principal palco do futebol mundial.
Antes deste torneio, Brasil e Haiti jogaram apenas três vezes na história, todas em partidas amistosas ou torneios continentais, em 1974, 2004 e 2016.
Retorno histórico ao Mundial
A Copa de 2026 marca a segunda participação do Haiti em uma Copa do Mundo. A primeira aconteceu há mais de cinco décadas, em 1974, na então Alemanha Ocidental.
O episódio mais dramático ocorreu após a estreia. O zagueiro Ernst Jean-Joseph foi reprovado em um exame antidoping e acabou sendo retirado da delegação e enviado de volta ao Haiti. De acordo com relatos históricos, o retorno ocorreu de forma compulsória por determinação do governo.
Classificação em meio à crise
O cenário atual do Haiti também é desafiador. O país enfrenta uma grave crise humanitária, marcada pela pobreza extrema, instabilidade política e pelo domínio de grupos armados em diversas regiões.
Sem condições de atuar em casa por questões de segurança, a seleção precisou disputar suas partidas como mandante em outros países durante as Eliminatórias. Mesmo assim, garantiu uma vaga inédita na era moderna da Copa.
O técnico francês Sebastian Migné montou a equipe recorrendo principalmente a atletas com ascendência haitiana que atuam em clubes europeus. Curiosamente, ele nunca chegou a trabalhar em território haitiano.
Ligação especial com o Brasil
A relação entre Haiti e Brasil vai além do futebol. Ao longo das últimas décadas, muitos haitianos passaram a acompanhar e torcer pela seleção brasileira, impulsionados pela atuação do Brasil em missões de paz da Organização das Nações Unidas, ações humanitárias e pelo fluxo migratório entre os dois países.
Essa identificação ganhou força em 2004, quando a Seleção Brasileira, então campeã mundial, realizou um amistoso em Porto Príncipe. Em meio ao clima de violência vivido na capital haitiana, o evento reuniu milhares de pessoas e ficou marcado por um fato simbólico: durante dois dias, os confrontos armados deram lugar à festa em torno do futebol.
Agora, as duas seleções se reencontram em um contexto completamente diferente. Desta vez, estarão frente a frente em uma Copa do Mundo, com o Brasil buscando sua primeira vitória e o Haiti tentando escrever mais um capítulo histórico de sua trajetória no torneio.
Empate na estreia
O Brasil empatou em 1 a 1 com o Marrocos, neste sábado (13), na estreia na Copa do Mundo, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O gol da Seleção foi marcado por Vinicius Junior, que chegou aos 10 gols com a camisa canarinho. O gol do adversário foi de Saibari. Agora, o time de Carlo Ancelotti concentra suas forças para a partida contra o Haiti, na próxima sexta-feira (19), no estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, nos Estados Unidos.
Empurrada por mais de 80 mil torcedores presentes nas arquibancadas, a Seleção Brasileira viveu grande expectativa para a estreia, mas quem tomou a iniciativa na partida foi o Marrocos. Aos 6 minutos, Mazraoui fez jogada pela esquerda, passou por Ibañez e cruzou para a entrada da área. El Aynaoui finalizou, mas Bruno Guimarães, atento, afastou. No minuto seguinte foi a vez de Hakimi chutar cruzado após jogada pela direita, assustando o goleiro Alisson.




