Selo de Ouro na Pecuária: China reconhece Brasil como 100% livre de aftosa sem vacinação e abre as portas para carne com osso e miúdos de MS

Bulhõesdigital
O agronegócio de Mato Grosso do Sul acaba de romper a barreira comercial mais aguardada das últimas duas décadas. Em anúncio oficial feito nesta terça-feira (2 de junho de 2026), o governo da China reconheceu formalmente todo o território brasileiro como área livre da febre aftosa sem vacinação.
A decisão histórica foi consolidada em Pequim, durante a comitiva oficial liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e coroa mais de 20 anos de complexas negociações diplomáticas e auditorias sanitárias nas fazendas do país.
O que Muda na Prática para as Exportações?
Até então, o mercado chinês comprava apenas cortes desossados e congelados de regiões específicas. Com a chancela máxima de sanidade, abre-se um leque bilionário de novos produtos que Mato Grosso do Sul poderá enviar aos portos asiáticos:
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Carne com Osso: Cortes de altíssimo valor agregado que antes eram barrados por restrições sanitárias rígidas.
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Miúdos Bovinos e Suínos: Itens que possuem um mercado de consumo gigantesco na culinária tradicional chinesa e que agora passam a ter sinal verde para embarque direto.
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Janela Asiática: A validação do “padrão ouro” chinês serve como passaporte para destravar o comércio com outros países da Ásia extremamente exigentes, como o Japão e a Coreia do Sul.
Mato Grosso do Sul na Liderança do Tabuleiro
O estado é o principal beneficiado com a medida por possuir o maior número de plantas frigoríficas habilitadas para o mercado internacional no Brasil. O volume de dinheiro movimentado pelo setor no primeiro quadrimestre deste ano (janeiro a abril de 2026) já mostra uma explosão no ritmo de vendas na comparação com o ano passado:
| Indicador de Exportação (MS ➔ China) | Primeiro Quadrimestre de 2025 | Primeiro Quadrimestre de 2026 | Crescimento Percentual |
| Volume Embarcado | 26,4 mil toneladas | 41,6 mil toneladas | 📈 +57,5% |
| Faturamento Gerado | US$ 130,6 milhões | US$ 250,5 milhões | 📈 +91,8% |
O caminho para o anúncio de hoje começou a ser pavimentado em maio de 2025, quando uma missão presidencial brasileira assinou um memorando de entendimento técnico com a Administração-Geral de Aduanas da China (GACC), alinhando os protocolos de defesa biológica dos dois países.
Escudo contra as Restrições da Europa
Para o economista e ex-secretário de Estado de Desenvolvimento de MS, Jaime Verruck, a notícia funciona como um colchão de segurança em um momento em que outros mercados tradicionais tentam colocar travas ideológicas ou ambientais contra a carne sul-mato-grossense:
“Essa ampliação de mercado é fundamental. A União Europeia vem impondo algumas restrições à carne bovina, então, essa notícia é fundamental para que a gente continue vendendo carne de qualidade e competitiva, beneficiando diretamente o Mato Grosso do Sul com a possibilidade de ampliar o volume e o faturamento das exportações”, pontuou Verruck, que atua como analista técnico do setor e é pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos.
Deixar de vacinar contra a aftosa foi uma aposta de altíssimo risco que o setor pecuário de Mato Grosso do Sul topou fazer anos atrás, investindo pesado em barreiras sanitárias e controle de fronteira. O reconhecimento da China é o prêmio máximo desse esforço, provando que o boi sul-mato-grossense tem a sanidade mais blindada do planeta e garantindo que os frigoríficos locais continuem contratando e batendo recordes de faturamento.
Imagem: Divulgação




