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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, frustrou expectativas de uma transição democrática imediata na Venezuela ao declarar, nesta segunda-feira (5), que não haverá eleições no país sul-americano nos próximos 30 dias. O prazo é o estipulado pela Constituição venezuelana em casos de “ausência absoluta” do chefe de Estado.
Em entrevista à NBC News, Trump argumentou que a infraestrutura institucional da Venezuela foi dizimada e que o país precisa ser “consertado” e “revitalizado” antes que a população possa ir às urnas.
A manobra dos 90 dias
Para contornar a exigência constitucional de eleições em um mês, o regime — agora sob tutela implícita de Washington — utilizou o argumento da “ausência temporária”. Com isso, a vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse ontem como presidente interina por um período inicial de 90 dias (prorrogáveis por mais 90).
A cerimônia foi conduzida por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Em seu discurso, Delcy manteve a retórica de lealdade a Maduro e condenou a “agressão militar ilegítima”, mas os bastidores contam outra história.
Cooperação com a Casa Branca
Contrariando o discurso público da presidente interina, Trump revelou que Delcy Rodríguez vem cooperando com os Estados Unidos. O presidente americano sinalizou que as sanções contra ela podem ser suspensas em breve.
O canal de comunicação é direto: segundo Trump, o Secretário de Estado, Marco Rubio, mantém contato frequente com a líder interina.
“O relacionamento tem sido muito forte. Ele [Rubio] fala com ela em espanhol fluente”, disse Trump, indicando que sua administração estará “no controle” do processo de transição.
O Fator Petróleo: Abertura e Subsídios
Um dos pontos centrais da estratégia de Trump é a reabertura da indústria petrolífera venezuelana para empresas norte-americanas. O setor, nacionalizado na década de 1970, detém as maiores reservas do mundo, mas sofre com sucateamento.
Trump propôs um plano ousado:
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Subsídios Estatais: O governo dos EUA poderia financiar o retorno de gigantes como ExxonMobil, ConocoPhillips e Chevron ao país.
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Prazo Otimista: O presidente estima que a modernização poderia ocorrer em 18 meses, prazo considerado irrealista por especialistas, que falam em décadas.
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Reunião Decisiva: Executivos das grandes petroleiras devem se reunir nesta quinta-feira (8) com o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, para discutir o plano.
Oposição fragmentada e rescaldo da operação
Enquanto Trump articula com Delcy, a oposição tradicional tenta se posicionar. O ex-diplomata Edmundo González, que reivindica a vitória nas urnas em 2024, declarou-se presidente e pediu apoio das Forças Armadas. Já sobre María Corina Machado, Trump negou ter retirado apoio devido ao Nobel da Paz, mas afirmou friamente que “ela não deveria ter vencido”.
Sobre a operação militar de sábado (3) que capturou Maduro, Trump negou que tenha havido um acordo prévio com militares venezuelanos, apesar da facilidade da ação (que resultou em cerca de 40 mortes do lado venezuelano e nenhuma baixa americana). Ele reiterou que a ação não foi uma guerra, mas uma operação de combate ao narcotráfico.
Imagem: Divulgação




