
Bulhõesdigital
A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (02) o ex-assessor da Presidência da República, Filipe Martins. Ele foi detido em sua residência em Ponta Grossa (PR), onde cumpria prisão domiciliar, e encaminhado a um presídio da região.
A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a justificativa de descumprimento de medidas cautelares. Martins, que já havia sido condenado em dezembro a mais de 21 anos de prisão pela trama golpista, estava proibido de utilizar redes sociais.
O “Caso LinkedIn” O estopim para a revogação da prisão domiciliar foi o acesso ao perfil de Martins na plataforma profissional LinkedIn, registrado no dia 29 de dezembro.
A defesa do ex-assessor, intimada a se explicar, argumentou que o acesso não foi feito por Martins, mas sim pelos próprios advogados, com o objetivo de “preservar provas, organizar informações e auditar históricos digitais”. Em nota ao STF, os advogados frisaram que o cliente “não realizou qualquer ato de manifestação pública”.
O argumento, no entanto, não foi aceito por Moraes. No despacho, o ministro afirmou que a admissão do uso da conta pela defesa confirma a violação da cautelar. Moraes classificou a atitude como “total desrespeito” às normas impostas e às instituições, ressaltando que não há pertinência na alegação de uso para auditoria quando a proibição de acesso é total.
Risco de Fuga e Contexto A situação jurídica de Filipe Martins se agravou na última semana de 2025. No dia 26 de dezembro, Moraes já havia ordenado a prisão domiciliar dele e de outros nove réus. A medida foi uma resposta direta ao risco de fuga, evidenciado após o ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques, ser preso tentando fugir para o Paraguai, e o deputado Alexandre Ramagem ter saído do país.
O advogado de Martins, Ricardo Scheiffer, acompanhou a prisão nesta manhã e declarou ao Estadão que seu cliente está “tranquilo e consciente da injustiça que vem sofrendo”.
Condenação Pesada Filipe Martins é apontado como integrante do “Núcleo 2” da organização acusada de tentar um golpe de Estado no Brasil. Segundo a denúncia, ele teria auxiliado na elaboração jurídica e de inteligência do plano, incluindo a revisão da chamada “minuta do golpe”.
Em 16 de dezembro de 2025, o STF o condenou a 21 anos e 6 meses de reclusão. Como a decisão ainda não transitou em julgado (ainda cabem recursos), ele respondia em liberdade até o endurecimento das medidas no fim do ano.
Além da condenação pela trama golpista, Martins também acumula uma condenação por racismo (dezembro de 2024), referente a um gesto associado a supremacistas brancos feito durante uma sessão no Senado em 2021.
Imagem: Divulgação





