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Paraíso das Águas: 23 anos de uma conquista construída por gerações, marcada por luta, espera e pelo sonho da independência

Antes de existir Prefeitura, Câmara Municipal, secretarias, prédios públicos ou mesmo a certeza de que um dia seria uma cidade independente, Paraíso das Águas já existia no coração de sua gente.

Existia nas famílias que chegaram quando tudo era mais difícil. Nos produtores que abriram caminhos. Nos comerciantes que acreditaram em um pequeno vilarejo. Nas professoras que ensinaram gerações. Nos trabalhadores rurais, nas igrejas, nos encontros entre vizinhos e naqueles que, mesmo diante das distâncias e das dificuldades, decidiram construir aqui suas vidas.

Vista área de Paraísod das Águas – meados de 2000 – Foto: Divulgação – restaurada IA BNC Notícias.

 

No próximo dia 30 de setembro, Paraíso das Águas completa 23 anos de criação, por meio da Lei Estadual nº 2.679, de 29 de setembro de 2003. A instalação político-administrativa, entretanto, ocorreu somente em 1º de janeiro de 2013, depois de quase uma década de espera, disputas judiciais e incertezas.

É uma história que não pode ser contada apenas por números ou documentos oficiais.

Para entender Paraíso das Águas é preciso voltar ao tempo do vilarejo. É preciso lembrar nomes, rostos e sobrenomes. É preciso falar daqueles que chegaram antes e, principalmente, daqueles que partiram sem conseguir assistir ao momento em que o sonho da independência finalmente se tornou realidade.

Antes do município, havia uma comunidade

Muito antes da emancipação, a região que hoje forma Paraíso das Águas já possuía uma comunidade construída pelo trabalho de famílias pioneiras.

Sobrenomes tradicionais foram se incorporando à história local ao longo das décadas, formando uma identidade que atravessou gerações.

Algumas famílias atuaram no campo. Outras no comércio, na educação, na política, no serviço público ou nas atividades comunitárias. Muitas contribuíram silenciosamente, sem cargos ou títulos, simplesmente trabalhando, criando seus filhos e ajudando os vizinhos -, para não sermos injustos com nenhum nome ou sobrenome, nos limitamos em apenas agradecer todos que fizeram parte da história do município, ao longo de todos esses anos.

E há personagens cujas memórias hoje ajudam a compreender como era viver naquele Paraíso das Águas que ainda não tinha autonomia.

Cada casa antiga, cada propriedade rural, cada comércio pioneiro e cada família guarda uma parte dessa história.

Muitos sonharam, mas não puderam ver

Há um componente especialmente emocionante nessa trajetória.

A emancipação demorou.

 

Entre os primeiros movimentos pela autonomia, a criação oficial em 2003, a longa batalha judicial e a instalação em 2013, anos se passaram.

Nesse intervalo, muitos pioneiros faleceram.

Homens e mulheres que desejaram ver Paraíso das Águas independente partiram antes que a primeira Prefeitura começasse a funcionar. Não acompanharam a posse do primeiro prefeito. Não assistiram à instalação da primeira Câmara Municipal. Não puderam ver o antigo distrito assumir definitivamente o direito de decidir seu próprio futuro.

Mas isso não significa que ficaram fora dessa conquista.

Ao contrário.

O município que nasceu em 2013 também nasceu sobre os alicerces deixados por essas pessoas.

Por isso, quando Paraíso das Águas comemora seu aniversário, existe também uma homenagem silenciosa àqueles que não estão mais presentes.

A independência chegou depois. O sonho deles, porém, chegou antes.

A luta pela emancipação

O processo de criação de Paraíso das Águas envolveu territórios pertencentes a Costa Rica, Água Clara e Chapadão do Sul.

A população foi chamada a participar de plebiscito e, conforme dados atribuídos ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, a criação do novo município recebeu aprovação expressiva: 96,34% dos votos.

A mobilização reuniu lideranças locais e regionais.

Entre os nomes que tiveram participação de destaque esteve Ivan da Cruz Pereira, o Ivan Xixi, que ainda muito jovem, ingressou na vida pública em 1996, com apenas 21 anos de idade, obteve 252 votos para vereador e durante 16 anos atuou no legislativo, representando o então distrito na Câmara Municipal de Costa Rica e se tornou uma das principais lideranças do movimento emancipacionista.

Comissões formadas ainda em 1980 iniciaram a luta pela emancipação

Reunião no escritório do deputaado Cícero de Souza, em Campo Grande (MS), em 1997: Vereador de Costa Rica: Lucas Gerolomo| Deputado Cícero de Souza | Rubis Garcia | Celso Cunha | Sílvio Cunha | Laert Correa | Adalto Miranda | Roberto Carlos | Claudio Vitorino | Roberto Rivelli | João da Coracy | Júlio Correa | Ivan Xixi

A luta pela emancipação de Paraíso das Águas começou a ganhar forma ainda na década de 1980. Em 1987, foi constituída a primeira Comissão Pró-Emancipação, liderada pelo então vereador Júlio Corrêa Rodrigues, que exerceu mandato parlamentar entre 1982 e 1992. Naquele período, já existia entre moradores e lideranças o desejo de conquistar a autonomia político-administrativa. A iniciativa, entretanto, não conseguiu avançar, principalmente porque a comunidade ainda não atendia ao número mínimo de habitantes exigido para a criação de um município.

O sonho, porém, não foi abandonado. Em meados da década de 1990, uma segunda comissão retomou o movimento emancipacionista, desta vez encabeçada pelo empresário Neri Foletto, conhecido como Revolvinho. Ao lado de outros importantes personagens da história local, ele voltou a mobilizar a comunidade e buscar apoio político em diferentes esferas para viabilizar a criação do município. Mais uma vez, apesar dos esforços, articulações e da vontade da população, o processo encontrou o mesmo obstáculo: Paraíso das Águas ainda não possuía população suficiente para atender aos requisitos necessários à emancipação.

Mesmo sem alcançar o objetivo naquele momento, essas primeiras mobilizações foram fundamentais para manter vivo o sonho da independência e preparar o caminho para as gerações de lideranças que, anos mais tarde, retomariam a luta até a criação definitiva de Paraíso das Águas.

1997: A retomada de um sonho pela independência

Mas a conquista não pertenceu apenas às lideranças políticas. Por trás das reuniões, articulações e decisões havia uma população que desejava autonomia e acreditava que Paraíso das Águas poderia caminhar com as próprias pernas.

Ainda entre 1997 e 1998, durante seu primeiro mandato como vereador, ainda muito jovem e com pouca experiência política, Ivan Xixi já iniciava uma importante articulação política em busca de apoio para o desenvolvimento da então comunidade de Paraíso das Águas e para o fortalecimento do sonho de sua emancipação. As reuniões na capital e também no então distrito, com lideranças locais, eram realizadas no Hotel Moraes.

A caminhada ultrapassou os limites locais e chegou às diferentes esferas de governo, aproximando o projeto de lideranças que se tornariam importantes personagens dessa trajetória. Entre elas estavam os saudosos deputados estaduais Cícero de Souza e Ary Rigo, além do deputado estadual Akira Otsubo e Jerson Domingos e dos deputados federais Manoel Júnior (in memoriam), da Paraíba, e Dagoberto Nogueira, de Mato Grosso do Sul, além da ex-deputada federal da época, Marisa Serrano. Sendo os autores da emancipação: os ex-deputados estaduais Cícero de Souza, Ary Rigo, Akira Otsubo e Londres Machado e co-autor Luiz Tenório.

Governadores da época, que também foram importantes no processo da emancipação à instalação José Orcírio Miranda dos Santos e André Puccinelli.

Outros nomes que também devem ser lembrados, como dos prefeitos que participaram e apoiaram a emancipação: Waldeli dos Santos Rosa (Costa Rica), Jesus Queiroz Baird (Costa Rica), João Carlos Krug (Chapadão do Sul), Jocelito Krug (Chapadão do Sul) e Edvaldo Alves de Queiroz (Topete – Água Clara).

Foram articulações construídas em uma época em que a independência ainda parecia distante, mas em que cada apoio conquistado ajudava a manter vivo o projeto de transformar Paraíso das Águas em município.

2003: Paraíso das Águas finalmente é criado

A conquista ganhou forma jurídica com a publicação da Lei Estadual nº 2.679, de 29 de setembro de 2003, criando o município.

Era o momento que durante anos havia sido aguardado.

No papel, Paraíso das Águas havia conquistado sua emancipação.

Na prática, porém, ainda começaria uma longa espera.

A criação foi questionada judicialmente, especialmente em razão do desmembramento territorial. O município de Água Clara argumentava que perderia território e sofreria impactos econômicos.

A disputa impediu que a recém-criada cidade pudesse ser imediatamente instalada.

E aquilo que parecia ser o fim da luta tornou-se o começo de uma nova batalha.

Seis anos de incerteza até a decisão do STF

Durante anos, a comunidade conviveu com a pergunta: Paraíso das Águas seria, de fato, um município?

A resposta definitiva começou a chegar em 3 de dezembro de 2009, quando decisão do Supremo Tribunal Federal colocou fim a um dos principais obstáculos jurídicos que impediam a consolidação da emancipação.

Depois de seis anos desde a criação oficial, o sonho voltava a ganhar força.

Ainda assim, a população teria que esperar mais.

Eleições chegaram a ser previstas para 2010, mas foram suspensas. A definição foi de que os primeiros representantes municipais seriam escolhidos nas eleições municipais de 2012.

Para quem havia esperado décadas pela autonomia, seriam mais alguns anos de paciência.

2012: pela primeira vez, Paraíso escolhe seu próprio prefeito

As urnas de 2012 marcaram um divisor de águas.

Pela primeira vez, os moradores puderam escolher um prefeito, um vice-prefeito e vereadores exclusivamente para administrar e representar Paraíso das Águas.

Ivan Xixi e Ocesino Alves de Oliveira foram eleitos prefeito e vice-prefeito, respectivamente, na primeira eleição municipal, sendo o mais votado nas eleições de 2012 e 2024, em percentual do Estado de Mato Grosso do Sul.

Também foram escolhidos os primeiros vereadores da história de Paraíso das Águas: Luiz Claudio Siena, Roberto Carlo, Anízio Sobrinho de Andrade, Edson Prechlak de Lima (Edson da Oficina), Neife José Garcia(Neife Vida), Antônio Luiz Soares(Tuta), Celso Martins da Cunha, José Targino Ferreira e Lindomar da Silva Pinheiro (Fiotinho) entre os primeiros representantes eleitos naquele momento histórico.

Anízio Sobrinho de Andrade, que já havia representado a região como vereador por Costa Rica, tornou-se o primeiro presidente da Câmara Municipal no biênio 2013–2014. Posteriormente, Roberto Carlos assumiu a presidência do Legislativo no biênio seguinte.

Antes da emancipação, outros nomes também haviam representado politicamente a comunidade ao longo das décadas, entre eles Júlio Corrêa, José Divino (Fio do Povo) e Kendi Nakai, além de personagens como o vice-prefeito Roberto Rivelli, o subprefeito Celso Martins da Cunha e a subprefeita Silvana Rodrigues Garcia, integrantes de diferentes períodos da história política local.

Além das lideranças que estiveram à frente das articulações políticas, a luta pela emancipação também contou com o apoio fundamental de produtores rurais, comerciantes e moradores, que acreditaram no sonho da independência e contribuíram, inclusive financeiramente, para custear despesas do longo processo de emancipação.

Entre os nomes que fizeram parte dessa mobilização estão Chiquinho Paniago, Otevil Batista, Reomilto Cunha, Pedro Sobrinho, José Hilário Grisuki, Irma Cótica, Valdemar Oliveira de Souza (Demarzinho Ferreiro), Sebastiana Pereira da Silva (Tiana da Loja) e Laert Corrêa, estes nomes representam tantos outros que fizeram parte da história, do apoio direto ou indireto no projeto de emancipação. A participação dessas pessoas demonstra que a criação de Paraíso das Águas foi resultado de um esforço coletivo, sustentado por homens e mulheres que investiram não apenas recursos, mas também confiança, trabalho e esperança na construção de um município independente para as futuras gerações.

1º de janeiro de 2013: o município começa do zero

Se a eleição de 2012 representou a vitória política, 1º de janeiro de 2013 marcou o nascimento administrativo de Paraíso das Águas.

E a expressão “começar do zero” talvez nunca tenha feito tanto sentido.

O município não recebeu uma estrutura pronta.

Era necessário montar Prefeitura, organizar secretarias, estabelecer serviços, estruturar o funcionalismo, formar a administração e criar a legislação municipal.

A primeira Câmara tinha pela frente, entre outras responsabilidades, a construção das bases legais da nova cidade.

Aquilo que municípios centenários haviam levado décadas para consolidar precisava começar a ser organizado praticamente de uma vez.

Era um município recém-instalado aprendendo a caminhar com as próprias pernas.

Uma história política construída em poucos anos

Ivan Xixi e Ocesino foram reeleitos em 2016.

Nas eleições de 2020, Paraíso das Águas escolheu seu segundo prefeito, Anízio Sobrinho de Andrade, tendo Roberto Carlos como vice. Os dois já haviam participado da história do Legislativo e presidido a Câmara Municipal.

Em 2024, Ivan Xixi retornou à Prefeitura, desta vez tendo Roberto Carlos como vice, iniciando em 2025 seu terceiro mandato como prefeito.

Em pouco mais de uma década de administração própria, personagens que participaram da construção política do município passaram por diferentes funções, numa história institucional ainda muito recente.

Sede, Bela Alvorada, Pouso Alto e assentamentos: um município de grandes distâncias

A identidade de Paraíso das Águas não se limita à sede.

Os distritos de Pouso Alto e Bela Alvorada, os assentamentos Mateira e Alto Sucuriú, além das inúmeras propriedades e comunidades rurais espalhadas pelo território, são partes fundamentais da formação econômica, social e cultural do município.

Essa dimensão territorial ajuda a compreender por que estradas, pontes e ligações rodoviárias sempre tiveram importância especial para sua população.

Paraíso das Águas está ligado à força do agronegócio, mas também aos seus rios e às belezas naturais. Sucuriú, Paraíso, São Domingos e Verde estão entre os cursos d’água que ajudam a compor a paisagem e a própria identidade local.

De um pequeno vilarejo a uma cidade independente

Uma das casas mais antigas na Rua Aristóteles Garcia Vida, onde funcionou alguns estabelecimentos comerciais. Foto restaurada IA/BNC Notícias

Hoje, olhar para Paraíso das Águas e encontrar Prefeitura estruturada, Câmara Municipal, escolas, unidades de saúde, infraestrutura urbana e serviços próprios pode fazer parecer distante o tempo em que tudo isso era apenas um projeto.

Mas são somente 13 anos de administração municipal própria.

A criação ocorreu em 2003. A confirmação jurídica veio anos depois. A primeira eleição aconteceu em 2012. A instalação ocorreu em 2013.

É justamente essa cronologia que torna a história tão singular.

Paraíso das Águas é o 79º e mais novo município de Mato Grosso do Sul, resultado de uma das mais recentes instalações municipais do país.

E tudo aconteceu diante dos olhos de uma geração que ainda pode contar como era a comunidade antes de existir o município.

Potencial econômico de crescimento

Atualmente, Paraíso das Águas se consolida como um dos municípios mais promissores de Mato Grosso do Sul, destacando-se pelo desenvolvimento econômico, pela força produtiva e pelo potencial de crescimento. Com população estimada em 5.904 habitantes e uma extensão territorial de aproximadamente 5.060 km², o município tem no agronegócio e na agroindústria os principais pilares de sua economia.

A expressiva produção de riquezas se reflete no PIB per capita de R$ 252.215,19, colocando Paraíso das Águas entre os municípios de maior destaque econômico do Estado e do país.

Potência econômica: do agronegócio à nova fronteira da energia solar

Paraíso das Águas chega aos 23 anos consolidado como um município de forte vocação produtiva e elevado potencial econômico. Com uma economia historicamente sustentada pelo agronegócio, o município reúne agricultura em larga escala, pecuária de corte e leite, silvicultura, agroindústrias, cooperativas, armazenagem de grãos, comércio e prestação de serviços, além da geração de energia por pequenas centrais hidrelétricas instaladas no Rio Sucuriú.

A localização estratégica também contribui para o escoamento da produção. O território é cortado por importantes rodovias estaduais, entre elas as MS-316, MS-320, MS-324A, MS-324B e MS-425, conectando propriedades rurais, distritos e áreas produtivas a diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

Entre as atividades que historicamente ajudaram a movimentar a economia local estão a produção agrícola, a criação de bovinos, o cultivo de eucalipto e seringueira, a indústria de álcool, frigorífico, pedreira, laticínio e grandes estruturas de armazenagem de grãos. Cooperativas agrícolas também desempenham papel relevante na organização e no fortalecimento da produção regional.

Nos últimos anos, entretanto, essa matriz econômica passou a ganhar um novo componente: a geração de energia renovável, especialmente a solar.

Um dos maiores exemplos é o Complexo Paraíso Solar, da Casa dos Ventos, atualmente em construção no município. O empreendimento prevê 160 megawatts (MW) de capacidade instalada, divididos em duas unidades de 80 MW, e integra um conjunto de investimentos da companhia em Mato Grosso do Sul.

O projeto chama atenção também por suas dimensões: são previstas mais de 1,2 milhão de placas fotovoltaicas distribuídas por uma área superior a 1.600 hectares, colocando Paraíso das Águas em posição de destaque na expansão da geração solar em larga escala.

O empreendimento possui ainda contrato de longo prazo para fornecimento de energia à Unipar, ampliando a participação do município em uma atividade econômica estratégica e conectada à transição para fontes renováveis.

Esse novo ciclo de investimentos se soma à principal força econômica de Paraíso das Águas: o agronegócio altamente mecanizado e produtivo. A combinação entre produção agropecuária, agroindústria, armazenamento, serviços e geração de energia ajuda a explicar o elevado PIB per capita municipal.

Com PIB per capita de R$ 252.215,19, Paraíso das Águas aparece entre as economias municipais de maior destaque de Mato Grosso do Sul, resultado expressivo para uma cidade com pouco mais de uma década de administração político-administrativa própria.

Assim, o antigo vilarejo que durante décadas lutou para conquistar sua independência chega aos 23 anos vivendo uma nova etapa de sua história: forte no campo, diversificando sua economia, recebendo grandes investimentos e abrindo novas perspectivas de desenvolvimento, emprego, renda e geração de riquezas.

 

Os pioneiros são páginas vivas dessa história

Pioneiros e apoiadores da causa Emancipação – Na foto: João da Coracy, Reumito Cunha, Otevil Batista, deputado Ary Rigo, Ivan Xixi, Pedro Sobrinho, Chiquinho Paniago e Missa.

Aos poucos, o tempo leva personagens, transforma paisagens e modifica costumes.

Por isso, preservar as memórias dos pioneiros é também preservar Paraíso das Águas.

Eles lembram das estradas difíceis, das primeiras casas, dos antigos comércios, das escolas de outros tempos, das viagens longas para resolver questões básicas e de uma comunidade na qual praticamente todos se conheciam.

Lembram também daqueles que já partiram.

Pais, mães, avós, comerciantes, produtores, professores, trabalhadores, líderes comunitários e cidadãos comuns que contribuíram para transformar um pequeno núcleo populacional em uma comunidade forte o suficiente para lutar por sua independência.

Nem todos tiveram seus nomes registrados em documentos oficiais.

Nem todos ocuparam cargos.

Nem todos receberam homenagens.

Mas uma cidade não é construída somente por quem aparece nas fotografias oficiais.

Ela também é feita pelas mãos anônimas que levantaram cercas, abriram propriedades, construíram casas, ensinaram crianças, atenderam famílias, plantaram lavouras, criaram comércios e permaneceram quando ficar significava acreditar em um futuro que ainda não existia.

23 anos: uma comemoração que pertence a todas as gerações

Quando Paraíso das Águas celebrar seus 23 anos de criação, não estará comemorando somente uma data registrada em lei.

Estará celebrando uma caminhada.

A caminhada daqueles que chegaram primeiro.

Dos que nasceram aqui quando Paraíso ainda era apenas uma pequena comunidade.

Dos que lutaram pela emancipação.

Dos que enfrentaram a longa espera entre 2003 e 2013.

Dos que assumiram a responsabilidade de estruturar o município recém-instalado.

Dos que chegaram depois e escolheram esta terra para viver.

E também daqueles que partiram antes de ver a bandeira de Paraíso das Águas representar um município verdadeiramente independente.

Talvez esteja justamente aí uma das maiores emoções deste aniversário.

Alguns dos pioneiros que sonharam com a cidade não puderam assistir à realização do sonho. Mas seus filhos, netos e bisnetos vivem hoje no município que eles ajudaram a construir.

As gerações mudaram. O vilarejo cresceu. A independência chegou.

E a história continua.

Paraíso das Águas nasceu oficialmente em 2003, começou a administrar o próprio destino em 2013 e, 23 anos depois de sua criação, carrega em cada conquista um pouco da coragem daqueles que acreditaram quando tudo ainda era apenas um sonho.

Em pouco mais de uma década de administração própria, o antigo vilarejo que durante tantos anos sonhou com a independência transformou-se em um município de grande potencial, unindo produção, geração de oportunidades, investimentos e qualidade de vida, sem perder a identidade construída pelas famílias pioneiras que lançaram as bases de seu desenvolvimento.

Aos que estão aqui, o reconhecimento. Aos que partiram antes da independência, a memória e a gratidão. E às novas gerações, a responsabilidade de continuar escrevendo a história de Paraíso das Águas.

 

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