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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, nesta quinta-feira (29), um comunicado de alerta acerca da formação de um sistema de baixa pressão atmosférica que evoluirá para o terceiro ciclone extratropical de 2026. O fenômeno tem gênese prevista para a madrugada desta sexta-feira (30) e deve impactar diretamente as condições climáticas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.
Características e Riscos Imediatos
O sistema se desenvolve em uma atmosfera caracterizada por altas temperaturas e elevada umidade. Essa combinação termodinâmica favorece a ocorrência de precipitações generalizadas e de forte intensidade. As autoridades meteorológicas alertam que localidades onde o solo já se encontra saturado por chuvas recentes devem manter estado de vigilância para riscos de alagamentos e deslizamentos.
A instabilidade abrange uma vasta área que inclui Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás. Projeções indicam acumulados pluviométricos que podem ultrapassar 100 milímetros em pontos como a Serra da Mantiqueira e 60 milímetros no litoral paulista. Há ainda prognóstico para tempestades severas acompanhadas de granizo, incidindo com maior probabilidade sobre o estado de São Paulo e o Triângulo Mineiro.
Evolução para ZCAS
A atuação do ciclone não deve se restringir ao fim de semana. A previsão aponta que o sistema persistirá até o início da próxima semana, favorecendo a organização de um canal de umidade contínuo entre o Espírito Santo e Mato Grosso. Segundo o Inmet, este cenário pode configurar um novo episódio de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), garantindo a manutenção do tempo chuvoso durante o início de fevereiro.
Para o sábado (31), a concentração das chuvas deve migrar para o eixo entre o Rio de Janeiro e o Triângulo Mineiro, com volumes expressivos em 24 horas, enquanto tempestades isoladas ainda podem atingir o norte de Santa Catarina e o leste do Paraná.
Atipicidade Climática
Especialistas apontam a singularidade do evento. Em análise técnica, o meteorologista Alexandre Nascimento, da consultoria Nottus, esclareceu que a formação de ciclones extratropicais não é comum no mês de janeiro, sendo fenômenos usualmente associados ao outono e inverno no extremo sul do país (RS e SC).
Nascimento destaca que, diferentemente dos dois episódios anteriores deste ano, este ciclone terá menor intensidade de ventos, concentrando seu impacto no volume de água precipitado. Contudo, o especialista alerta que o aumento na frequência destes sistemas fora de época é um indicativo das mudanças climáticas em curso. “Estamos vivendo o extraordinário. Estas mudanças impactam tanto na intensidade quanto na ocorrência desses sistemas”, avaliou.
Imagem: Divulgação





