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Gestão e Transparência: Saúde de Costa Rica presta contas e revela investimento recorde de R$ 19 milhões no 1º quadrimestre de 2026

Bulhõesdigital

A Prefeitura de Costa Rica, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realizou na última sexta-feira (29 de maio de 2026) uma audiência pública na Câmara Municipal para apresentar o balanço financeiro e operacional do Sistema Único de Saúde (SUS) do primeiro quadrimestre do ano. Amparado pela Lei Complementar nº 141/2012, o relatório detalhou os investimentos realizados entre janeiro e abril para a população estimada em 28.740 habitantes.

O grande destaque do balanço foi o montante financeiro aplicado na área: o município injetou exatos R$ 19.041.876,83 na saúde pública. O valor representa 35,70% das receitas de impostos e transferências constitucionais — mais que o dobro do mínimo de 15% exigido pela Constituição Federal.

Raio-X dos Atendimentos: Altas na Média e Alta Complexidade

Conduzida pelo secretário de Saúde, Daniel Rayckson Lemos Santos, a audiência revelou que o município enfrentou um aumento generalizado na demanda por atendimentos médicos:

  • Pronto-Socorro: As consultas de urgência e emergência saltaram de 13.298 (no 1º quadrimestre de 2025) para 14.265 no mesmo período de 2026.

  • Ocupação de UTI: A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva subiu expressivamente, saindo de 46% para 64,7%. No total, o hospital registrou 709 internações, motivadas principalmente por traumas, cirurgias e pneumonias.

  • Hemodiálise Regional: O serviço consolidou-se como polo regional, atendendo 51 pacientes de Costa Rica, Chapadão do Sul, Figueirão, Paraíso das Águas e Alto Taquari.

  • Exames de Alta Complexidade: Através da regulação, o município ampliou as autorizações de exames caros. As tomografias subiram de 110 para 576; as ressonâncias magnéticas foram de 12 para 119; e as endoscopias saltaram de 10 para 164.

Atenção Primária Mantém Cobertura de 100%

Enquanto a média complexidade cresceu, a prevenção seguiu como a principal barreira de contenção do município, operando com cobertura total do território através de 7 equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e 52 agentes comunitários.

As visitas domiciliares registraram uma explosão estatística, passando de 52.857 para 93.241 ações. Na saúde da mulher, os exames preventivos de Papanicolau subiram de 480 para 747, e as inserções de DIU foram de 36 para 47. Os centros de atendimento especializado (CEM, CAPS e Centro de Reabilitação) também mantiveram viés de alta na maioria dos indicadores de consultas psicológicas, fonoaudiológicas e de terapia ocupacional.

Os Gargalos: Cobertura Vacinal em Queda

Apesar dos ótimos índices financeiros e de consultas, a gestão acendeu o sinal de alerta para a queda acentuada na cobertura vacinal. A aplicação da vacina contra a pólio despencou de 94% para 64,88%, enquanto a vacina Pentavalente caiu de 93% para 77,02%.

Outro ponto de dificuldade citado pelo secretário foi a assistência farmacêutica de componentes especializados, afetada por atrasos nas atas de registro de preços e entregas de responsabilidade do Governo do Estado. Em contrapartida, uma boa notícia: os casos confirmados de dengue caíram de 170 para 71 ocorrências.

Resumo Financeiro e Metas (1º Quadrimestre de 2026)

Indicador Financeiro / Operacional Valor / Percentual
Total Aplicado na Saúde R$ 19.041.876,83
Percentual do Orçamento Destinado 35,70% (Mínimo constitucional é 15%)
Despesas Liquidadas R$ 13.295.386,32 (R$ 9,1M Hospitalar / R$ 4,8M Atenção Básica)
Metas da Programação Anual (PAS) 49,2% alcançadas/superadas; 36,5% em andamento; 14,3% não executadas
Viagens de Pacientes (Tratamento Fora) 322 viagens realizadas, transportando 5.323 pessoas

O Olhar dos Poderes Executivo e Legislativo

O vice-prefeito Roni Cota defendeu o aporte massivo de recursos na pasta: “Esse é o melhor investimento que um gestor público pode fazer. Investir em saúde é investir nas pessoas”. A parceria também foi referendada por Ana Carla Zibetti, representante da Fundação Hospitalar (entidade privada parceira do município).

Na bancada legislativa, os vereadores Lucas Gerolomo e Juvenal da Farmácia elogiaram a estrutura que atende mais de 700 pessoas por dia e destacaram a independência da Câmara para fiscalizar e enviar emendas impositivas à Saúde. Já o vereador Rayner Moraes lembrou que muitos atrasos em cirurgias e exames não ocorrem por negligência, mas por amarras burocráticas e transições exigidas pela nova Lei de Licitações.

Ao fechar os trabalhos, o secretário Daniel Rayckson agradeceu ao prefeito Cleverson Alves e coroou o esforço dos profissionais da linha de frente:

“Os agentes comunitários de saúde e os agentes de endemias são a ponta de lança da saúde. São eles que estão diariamente próximos da população e identificam as principais demandas do município.”

Investir quase 36% do orçamento em saúde é um feito raro na administração pública brasileira, mas o próprio relatório mostra que injetar dinheiro não resolve tudo sozinho: os entraves da nova Lei de Licitações e a queda na cobertura vacinal dependem muito mais de conscientização popular e eficiência burocrática do que de repasses financeiros.

Imagem: Silvestre de Castro

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