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Uma nova pesquisa publicada na renomada revista científica British Medical Journal acendeu um alerta para usuários das populares “canetas emagrecedoras” (como Mounjaro e Wegovy). O estudo sugere que pacientes que interrompem o tratamento recuperam os quilos perdidos quatro vezes mais rápido do que aqueles que abandonam dietas convencionais.
Enquanto a dieta tradicional resulta em uma recuperação média lenta (cerca de 0,1 kg por mês), a interrupção das injeções de GLP-1 leva a um ganho médio de 0,8 kg por mês. Nesse ritmo, o paciente volta ao peso inicial em cerca de um ano e meio.
O “Interruptor da Fome”
O estudo analisou dados de mais de 9 mil pacientes. A principal causa desse efeito rebote agressivo é biológica. Esses medicamentos funcionam imitando um hormônio natural (GLP-1) que regula a saciedade.
Segundo Adam Collins, especialista em nutrição da Universidade de Surrey, o corpo se “acostuma” com a dose extra artificial e pode parar de produzir seu próprio hormônio ou ficar menos sensível a ele.
“Quando o tratamento é interrompido, é como se um interruptor fosse ligado. O apetite deixa de ser controlado e a probabilidade de comer em excesso aumenta muito”, explica Collins. Relatos de pacientes descrevem a sensação como uma fome “instantânea e incontrolável”.
Cenário no Brasil: Custo x Tratamento Contínuo
No Brasil, o uso desses medicamentos é aprovado pela Anvisa — inclusive com novas indicações para gordura no fígado liberadas em dezembro de 2025 —, mas o custo é uma barreira para a continuidade.
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Custo Elevado: O tratamento mensal com Mounjaro (tirzepatida), por exemplo, pode superar os R$ 1.400.
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Sem SUS: Por enquanto, as canetas não estão disponíveis na rede pública, exigindo desembolso total do paciente.
Isso cria um dilema: como o tratamento é caro, muitos pacientes tentam parar assim que atingem a meta, caindo na armadilha do reganho de peso acelerado.
Obesidade é Doença Crônica
Fabricantes como a Eli Lilly e a Novo Nordisk (responsáveis pelo Mounjaro e Wegovy, respectivamente) reforçam que a obesidade é uma doença crônica, assim como hipertensão ou diabetes.
A visão médica atual caminha para o entendimento de que o uso desses fármacos deve ser contínuo ou de longuíssimo prazo, e não uma solução pontual para “secar” rápido.
O veredito dos especialistas: As injeções são ferramentas poderosas e eficazes, mas não fazem milagre sozinhas. Sem mudanças comportamentais profundas e acompanhamento médico para um possível “desmame” gradual (ou manutenção contínua), o risco de voltar à estaca zero é altíssimo.
Imagem: Divulgação





