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O Carnaval 2026 registrou um dos resultados mais controversos da apuração deste ano. Uma das escolas de samba mais comentadas do pré-carnaval — não pela música, mas pela carga ideológica de seu enredo — acabou amargando o rebaixamento. A agremiação, que levou à avenida homenagens ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representações satíricas de valores cristãos e da família tradicional, não resistiu ao julgamento técnico e à pressão do público.
O que a diretoria da escola classificou como “crítica social necessária”, grande parte da arquibancada e dos especialistas interpretou como um ataque direto a crenças fundamentais da sociedade brasileira.
O Peso das Notas e a Reação do Público
O desfile foi marcado por momentos de tensão. Enquanto alas exaltavam figuras políticas, outras traziam alegorias que foram lidas como deboche à fé cristã. O resultado foi uma desconexão com o público:
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Vaias e Silêncio: Em diversos setores da avenida, o entusiasmo habitual deu lugar a protestos e até ao abandono de lugares.
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Critério Técnico: Jurados apontaram falhas em quesitos como Enredo e Evolução, argumentando que a narrativa se perdeu no ativismo, sacrificando a harmonia e a clareza da apresentação.
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Redes Sociais: O tema tornou-se o assunto mais comentado, com uma avalanche de críticas sobre o uso de recursos públicos e espaços culturais para fins de militância partidária.
Arte ou Ativismo?
O rebaixamento da escola levanta um debate profundo no mundo do samba: até onde vai a liberdade criativa e onde começa o desrespeito? Especialistas afirmam que o Carnaval sempre foi um espaço de sátira e política, mas que o tom adotado pela escola ultrapassou a linha da convivência plural para entrar no campo do sectarismo.
“O fracasso da escola não foi apenas técnico, foi simbólico. O público mandou um recado de que o Carnaval deve ser um espaço de união e celebração, não uma ferramenta de ataque a valores que a maioria dos brasileiros preza”, destaca a análise de bastidores.
Lições para o Próximo Carnaval
O episódio serve como um sinal de alerta para outras agremiações. O equilíbrio entre a crítica social — marca registrada do samba — e o respeito à diversidade de crenças da população parece ser a chave para evitar que o espetáculo se transforme em um “vexame” institucional.
Para a escola rebaixada, resta agora o desafio de reconstruir sua identidade no grupo de acesso, longe dos holofotes da elite, e avaliar se o custo político do enredo valeu a perda da categoria.
Imagem: Divulgação




