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A busca pelo emagrecimento rápido a qualquer custo transformou o sistema postal em rota de tráfico de medicamentos ilegais. Em uma operação divulgada nesta quinta-feira (15), a Vigilância Sanitária Estadual revelou a apreensão de mais de 3 mil itens, entre canetas emagrecedoras, ampolas e anabolizantes, no centro de distribuição dos Correios em Campo Grande.
A ação, realizada pela Gerência de Medicamentos e Produtos para Saúde (Gemps), analisou 570 encomendas que ficaram retidas no raio-X entre os dias 7 e 12 de janeiro por conterem “material suspeito”.
A Nova Tática: Ampolas Soltas
O que chamou a atenção dos fiscais foi a mudança no modus operandi dos remetentes. Para tentar enganar a fiscalização e o raio-X, os criminosos pararam de enviar as canetas aplicadoras completas (que têm formato mais fácil de identificar) e passaram a despachar apenas as ampolas (refis).
Mesmo com a estratégia, a segurança postal reteve as cargas. Ao abrir os pacotes, a Vigilância encontrou um verdadeiro arsenal químico sem qualquer registro na Anvisa:
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3.168 ampolas de tirzepatida (princípio ativo de medicamentos de alto custo);
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78 canetas de retratutida;
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Semaglutida (o popular Ozempic genérico/falso);
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Esteroides anabolizantes e Somatropina (hormônio do crescimento);
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Toxina botulínica e suplementos diversos.
Risco de Morte
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) emitiu um alerta grave. Esses produtos não possuem garantia de origem, transporte adequado (refrigeração) ou eficácia. O consumidor que aplica essas substâncias está correndo riscos severos, que vão desde infecções e intoxicações até a morte.
“O uso de medicamentos sem registro na Anvisa é irregular. Sem análise, os resultados são comprometidos e sintomas de doenças podem ser mascarados”, reforçou a nota técnica.
A orientação oficial é clara: tratamento para obesidade exige acompanhamento médico e nutricional. Medicamentos legítimos só devem ser adquiridos em farmácias e drogarias autorizadas.
Imagem: Divulgação





