Ciência Brasileira: Tetraplégico de MS recupera movimentos após tratamento inédito com proteína

Bulhõesdigital
CAMPO GRANDE – O que parecia impossível tornou-se realidade para a família de Luiz Otávio Santos Nunez. Após sofrer uma lesão medular completa por um disparo acidental no pescoço em outubro de 2025, o jovem recebeu, em janeiro de 2026, a aplicação da polilaminina — uma proteína desenvolvida por pesquisadores da UFRJ que atua na regeneração de conexões neurais.
O procedimento, que durou apenas 40 minutos, já apresenta resultados que a mãe de Luiz descreve como um “milagre” da ciência.
O Tratamento: Polilaminina
A polilaminina é fruto de 20 anos de pesquisa liderada pela professora Tatiana Coelho de Sampaio (UFRJ).
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Origem: Produzida a partir da laminina, uma proteína extraída da placenta humana.
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Como funciona: O fármaco atua como um “andaime” biológico, estimulando as células nervosas a se reconectarem através da cicatriz da lesão medular.
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Aplicação: No caso de Luiz, foi injetado apenas 1 ml da proteína diretamente no local da lesão, utilizando agulhas guiadas por Raio-X em tempo real.
Evolução e Conquistas
O progresso de Luiz Otávio tem surpreendido os médicos pela rapidez:
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12 dias após: Primeiros sinais de sensibilidade e movimentos leves.
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14 dias após: Movimentação voluntária da mão sem auxílio externo.
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Situação atual: Luiz já consegue realizar tarefas do dia a dia, como comer um pedaço de bolo sozinho, algo impensável há poucos meses.
“Provavelmente ele vai ter um ganho, não sabemos se de 100%, mas esperamos uma grande melhora na qualidade de vida. Ele precisará de fisioterapia intensa por cerca de um ano e meio”, explicou o médico responsável, Wolnei Marques Zeviani.
O Brasil na Vanguarda da Neurologia
Luiz Otávio é o primeiro paciente de Mato Grosso do Sul e um dos apenas 23 no Brasil a receber o tratamento. A Anvisa liberou oficialmente o estudo clínico de fase 1 no início de janeiro de 2026, focando na segurança do medicamento.
Inspiração de quem já venceu: O caso de Luiz segue os passos de Bruno Drummond de Freitas, o primeiro paciente do mundo a receber a proteína em 2018. Recentemente, Bruno foi visto em vídeos nas redes sociais da ex-ginasta Laís Souza andando normalmente e conduzindo a cadeira de rodas da atleta, mostrando que o ápice da recuperação pode levar anos, mas é real.
Imagem: Divulgação





