Campo Grande sedia COP15 e se consolida como capital mundial das espécies migratórias

Bulhõesdigital
CAMPO GRANDE (MS) – Pela primeira vez na história, o Brasil sedia a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). A 15ª edição (COP15) teve sua abertura oficial nesta segunda-feira (23 de março de 2026), em Campo Grande, com o lema “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”.
A escolha da capital sul-mato-grossense não foi casual. Inserida em rotas migratórias vitais, a cidade abriga mais de 400 espécies de aves, das quais pelo menos 68 são migratórias, cruzando fronteiras internacionais para encontrar refúgio no cerrado e no pantanal.
Protagonismo Internacional e Sustentabilidade
Durante a abertura, a prefeita Adriane Lopes (PP) enfatizou que o evento é uma vitrine para as políticas públicas locais. Pelo sétimo ano consecutivo, Campo Grande ostenta o título de “Tree City of the World” (Cidade Árvore do Mundo), reconhecimento da FAO/ONU.
“Para as aves e animais, não existe fronteira. Essa conexão entre países é fundamental. Sediando a COP15, fortalecemos nosso posicionamento mundial e avançamos na conservação da biodiversidade”, afirmou a prefeita.
O Desafio da Urbanização vs. Conservação
A magnitude do evento trouxe à tona discussões locais sensíveis, como a verticalização do Parque dos Poderes. Questionada sobre o impacto de grandes empreendimentos em áreas verdes, Adriane defendeu o equilíbrio:
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Diálogo: A prefeitura se diz aberta a ouvir universidades e ambientalistas.
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Crescimento: A gestão pontua que a verticalização é uma consequência natural do desenvolvimento de cidades que crescem aceleradamente.
Crise Global das Espécies
A COP15 ocorre em um momento crítico. Dados recentes da Convenção revelam um cenário alarmante para a fauna mundial:
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49% das populações de espécies migratórias estão em declínio (um aumento em relação aos 44% de dois anos atrás).
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24% dessas espécies já enfrentam risco de extinção global.
Como país-sede, o Brasil assume a presidência da CMS pelos próximos três anos, tendo a missão de coordenar estratégias para frear essa perda de biodiversidade, essencial para o equilíbrio de ecossistemas inteiros.
Imagem: Divulgação




