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Juros ao consumidor sobem e cartão de crédito segue como o grande “vilão”

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O cenário financeiro para as famílias e empresas brasileiras ficou mais apertado em janeiro de 2026. Segundo os dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (25), a taxa média de juros acompanhou a subida da Selic (atualmente em 15% ao ano), dificultando o acesso ao crédito e encarecendo as dívidas já existentes.

O destaque negativo continua sendo o cartão de crédito, que apresenta as taxas mais agressivas do mercado.


Raio-X dos Juros em Janeiro/2026

Abaixo, os principais indicadores de taxas anuais para pessoas físicas e jurídicas:

Modalidade Taxa Anual (Janeiro/2026) Variação no Mês
Cartão de Crédito Rotativo 424,5% -13,7 p.p. (recuo)
Cartão Parcelado 194,9% +6,8 p.p.
Crédito para Pessoas Físicas (Média) 61,0% +0,9 p.p.
Crédito para Empresas (Média) 25,2% +1,6 p.p.
Crédito Direcionado (Habitação/Rural) 11,2% Estável

Os Perigos do Cartão de Crédito

Embora o rotativo (quando você não paga o total da fatura) tenha tido um recuo nas taxas, ele ainda opera em níveis estratosféricos de 424,5% ao ano.

  • Regra dos 30 dias: Lembre-se que o rotativo só pode ser usado por um mês. Após esse período, o banco é obrigado a parcelar a dívida, mas a taxa desse parcelamento também subiu forte em janeiro, chegando a quase 195% ao ano.

  • Outras Altas: O financiamento de veículos e o crédito pessoal não consignado também ficaram mais caros para o consumidor final.


Por que os juros estão subindo?

A alta bancária é um reflexo direto da Taxa Selic, que está no seu maior nível desde 2006. O Banco Central utiliza os juros altos como um “balde de água fria” na economia:

  1. Encarece o crédito: As pessoas compram menos parcelado.

  2. Estimula a poupança: Fica mais vantajoso deixar o dinheiro rendendo.

  3. Controle da Inflação: Com menos consumo, os preços tendem a parar de subir.


Inadimplência e Endividamento

Com o dinheiro mais caro, a dificuldade para pagar as contas aumentou:

  • Inadimplência: Atingiu 5,2% para as famílias (atrasos acima de 90 dias).

  • Comprometimento de Renda: Em média, as famílias brasileiras estão usando 29,2% do que ganham apenas para pagar parcelas de dívidas.

  • Endividamento Total: Quase metade da renda anual das famílias (49,7%) já está comprometida com algum tipo de dívida (empréstimos, financiamentos ou cartões).


Dica de Planejamento Financeiro

Neste cenário de Selic a 15%, a recomendação de especialistas é evitar ao máximo o uso do cartão de crédito para “completar o mês” e priorizar a quitação de dívidas com juros flutuantes.

O que é o Spread Bancário? O relatório também mostrou que o spread (a diferença entre o que o banco paga para pegar dinheiro e o que ele cobra de você) subiu para 21,9 pontos percentuais. Isso significa que, além do custo do dinheiro estar alto, a margem de lucro e risco dos bancos também aumentou.

Imagem: Divulgação

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